O que é Design Biofílico?
O Design Biofílico é relativo a Biofilia que significa amor à vida, e também pode ser classificada como um instinto de preservação e conservação.
A partir disso, com o intuito de conectar seres humanos com o meio ambiente, afim de melhorar a saúde física e mental das pessoas e transmitir sensação de bem-estar, a arquitetura começou a integrar a natureza como parte projetual, surgindo o que é chamado de Design Biofílico.
É instintivo que as pessoas procurem por espaços em contato com a natureza com o intuito de relaxar, pois o desenvolvimento da raça humana foi tido neste contato, na percepção do espaço, no olhar, no respirar, como resposta adaptativa ao mundo natural.
Ao notar que as rotinas são praticamente a todo momento em ambientes internos, de casa para o trabalho, para os comércios e serviços, faz-se necessário tomar decisões de projeto que tragam impactos positivos na saúde, criando espaços saudáveis pois, sabe-se da necessidade de interação entre humano e natureza.
Como as cidades em áreas urbanas carecem de áreas verdes, é necessário avaliar soluções que criem e deem esse conforto ao ambiente consolidado, resgatando ambientes naturais para o espaço construído pelo homem.
Confira neste artigo quais são os elementos que pertencem ao Design Biofílico e como eles influenciam desde o projetar a ocupação.
Como esse artigo está estruturado?
- O ser humano e a biofilia
- Pilares do Design Biofílico
- Como aplicar o Design Biofílico nos projetos?
- Benefícios do Design Biofílico
- O que não é considerado Design Biofílico
- Conclusão
O ser humano e a biofilia
Indivíduos naturalmente se associam a recursos e processos da natureza como uma necessidade biológica para sua saúde.
É a nossa ligação humana com o mundo natural, como a água, a luz solar, o ar, a vegetação e outros elementos, e que entram em contraste com um mundo totalmente urbanizado com tecnologias, arquitetura industrial e cheio de informações.
Quando a Arquitetura é composta por elementos da natureza, cria-se uma amplitude do ambiente externo para o construído, não apenas pela inserção de um objeto da natureza nele, mas sim, por produzir um habitat que funcione de acordo com o interesse deste local.
Pesquisas comprovaram que recursos naturais causam efeitos positivos na qualidade de vida das pessoas e, apesar de o termo Biofilia ser pouco conhecido, já se incorporavam elementos da natureza em ambientes construídos há anos por toda parte do mundo.
Porém, a partir da Revolução Industrial, essa tendência foi deixada de lado, passando a dar espaço para grandes construções que dominavam a natureza e a aniquilava.
Vistas as consequências atuais, tomamos consciência de ter medidas que sejam mais sustentáveis em todos os aspectos da vida diária.
Sabendo da necessidade de resgate biológico e de reconexão, vamos expandir nossos conhecimentos acerca do Design Biofílico e aprender como essa tendência pode agregar nos projetos de arquitetura.
Pilares do Design Biofílico
Os pilares do Design Biofílico são:
- Experiência Direta com a Natureza
- Experiência Indireta com a Natureza
- Experiência de Espaço e Lugar
Existem técnicas que são utilizadas para o direcionamento do Design Biofílico, Stephen Kellert, em publicação “The Practice of Biophilic Design”, as separou nestes três pilares com o intuito de tornar possível sua aplicação independente de suas limitações.
Para explicar como funciona cada uma delas, Terrapin Bright Green cria padrões do Design Biofílico, e os descreve em 14 itens de como experimentamos um lugar, que estão elencados a seguir:
Experiência Direta com a Natureza
- Conexão Visual com a Natureza – Criar vistas que levem aos elementos naturais através dos vazios, como por exemplo uma janela com vista para as montanhas, ou mesmo para o jardim, canteiros, paredes verdes, telhados verdes.
- Conexão Não-Visual com a Natureza – Através de estímulos sensoriais, como audição, olfato, tato e paladar, que levem a uma referência positiva destes sistemas vivos.
- Estímulo Sensorial Não-Rítmico – Incorporar na Arquitetura, estímulos que remetam aos elementos naturais, como o balançar do vento, o movimento do mar.
- Variação Térmica e de Fluxo de Ar – Trabalhar temperaturas, superfícies quentes, frias, também a umidade, fluxos de ar e como isso pode ocorrer.
- Presença de Água – como introduzir a água, eu posso sentir? Posso ver? Posso ouvir?
- Luz Dinâmica e Difusa – Aproveitar o próprio caminho solar, qual a intensidade de luz e sombra? Qual o caminho delas? Como recriar essas condições?
- Conexão com os Sistemas Naturais – Dar a consciência desses processos, as mudanças sazonais, as características de um ecossistema saudável.
Experiência Indireta com a Natureza
- Formas e Padrões Biomórficos – Utilizar de padrões, texturas, referências simbólicas, sistemas numéricos que podem ser encontrados na natureza.
- Conexão dos Materiais com a Natureza – Para refletir a geologia e ecologia, ter o uso materiais naturais.
- Complexidade e Ordem – Através do uso de simetrias, hierarquias e padrões geométricos.
Experiência de Espaço e Lugar
- Panorama – Projetar espaços com visão do entorno, com o estímulo a vigilância e planejamento, por meio da adição de varandas, claraboias, janelas, mezaninos, espaços com planos abertos, transparências.
- Refúgio – Trata-se da observação do entorno a partir de uma posição que dê proteção, segurança.
- Mistério – É a antecipação do que está por vir, o que eu vejo no final da rua, quando viro a esquina, o meu projeto causa mistério nas pessoas que passam pela rua? É olhar e pensar, o que é aquilo? Causar a curiosidade.
- Risco e Perigo – O contraste entre a emoção de um risco que é identificado aliado com essa sensação de segurança
Sendo assim, vista a estrutura do design biofílico, projetar espaços que nos conectam às sensações positivas que encontramos na natureza torna-se uma missão, e como podemos executar isso na prática?
Como aplicar o Design Biofílico nos projetos?
Para aplicar o projeto biofílico vai além do que adicionar vasos de plantas.
Ele é contido de iluminação natural, vegetação, texturas, jardins verticais, tudo afim de proporcionar um impacto positivo.
Estudos feitos na área apontaram que a Biofilia em espaços de convívio aumenta em 15% o índice de satisfação dos usuários, também o senso de equipe, poder de concentração e criatividade e ainda, todos os benefícios de saúde física e mental que serão tratados no tópico a seguir.
Existem diversas maneiras de incorporar a biofilia no desenho de Stephen Kellert, que além dos pilares, também definiu 6 elementos e mais de 60 atributos de implementos de experiências biofílicas.



