O que é Arquitetura Vernacular?
A Arquitetura Vernacular é todo tipo de arquitetura definida pelo uso de materiais e técnicas de uma determinada região, sem a necessidade de supervisão de um arquiteto.
Esse tipo de arquitetura está relacionado com a sustentabilidade, pois utiliza recursos e métodos construtivos que valorizam a preservação do meio ambiente ao mesmo tempo que possui um caráter cultural que busca priorizar técnicas tradicionais da região onde está empregada.

Em razão disso, torna-se necessário entender mais a respeito desse tipo de arquitetura, sendo ela vista como alternativa sustentável que busca diminuir os impactos ao meio ambiente, através de técnicas baratas e funcionais, ao mesmo tempo que preserva a identidade cultural de determinado povo.
Por isso, é importante que Arquitetos conheçam as suas principais características a depender da região em que será empregada, bem como entender seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.
Como este Artigo está estruturado
- Qual a importância da Arquitetura Vernacular?
- Arquitetura Vernacular e Sustentabilidade
- Características da Arquitetura Vernacular
- Arquitetura Vernacular no Mundo
- Arquitetura Vernacular no Brasil
Qual a Importância da Arquitetura Vernacular?
Como dito anteriormente, a Arquitetura Vernacular consiste em um conjunto de características construtivas que buscam priorizar os materiais locais e técnicas milenares utilizadas por determinados povos para construir suas edificações.
Assim, ao utilizar essas técnicas e recursos, torna-se possível preservar a identidade dos povos através de suas edificações, mantendo suas tradições e fortalecendo os vínculos entre os povos e seu local geográfico.

Além disso, também é possível criar edificações usando métodos mais acessíveis que podem ser encontrados nos locais onde serão construídas. Isso contribui para a redução de impactos ambientais.
Em razão disso, a Arquitetura Vernacular tem sido amplamente estudada, pois suas características têm ganhado notoriedade na resolução das questões bioclimáticas e termoacústicas, além da racionalização de materiais e de energia.
Portanto, algumas de suas práticas vem sendo implementadas nos mais diversos projetos contemporâneos.
Assim, podemos citar como vantagens da Arquitetura Vernacular:
- Contribuição para preservação do meio ambiente;
- Diminuição do uso de materiais e do consumo energético;
- Métodos construtivos mais acessíveis;
- Preservação da identidade local ou regional;
- Economia de materiais e de mão de obra
- Otimização térmica e acústica;
- Entre outros.
Arquitetura Vernacular e Sustentabilidade
A Arquitetura Vernacular está diretamente relacionada aos conceitos da sustentabilidade, pois ela utiliza métodos construtivos simplificados, os quais empregam materiais de baixo impacto, visando causar o menor prejuízo possível ao ambiente onde está inserida.
Esse tipo de arquitetura começou a ser explorada na segunda metade do século XX, mais especificamente a partir dos anos 1970, com o surgimento do conceito de Desenvolvimento Sustentável, que buscava nos campos da arquitetura, minimizar os prejuízos causados pela indústria da construção civil.

Desse modo, muitas das técnicas usadas na Arquitetura Vernacular podem estar relacionadas com a Bioconstrução, que também caracteriza um conjunto de métodos construtivos que visam causar baixo impacto ambiental.

Porém, nem toda arquitetura sustentável pode ser considerada vernacular. Para ser caracterizada como vernacular, é preciso obrigatoriamente utilizar materiais e técnicas próprias dos povos e das regiões na qual a edificação será construída.
Características da Arquitetura Vernacular
Como já mencionado, a Arquitetura Vernacular possui como característica fundamental, a valorização das condições locais onde está situada, condições essas que abrange aspectos climáticos, topográficos e recursos naturais, que geralmente podem ser terra, pedras, madeiras, gelo entre outros.
Além da valorização das condições locais, ela também é marcada pela simplicidade e funcionalidade que podem ser observadas através do nível tecnológico construtivo que não é considerado avançado, porém possui milhares de anos e são passados de geração em geração.
Em razão disso, esse tipo de arquitetura é muitas vezes subestimado sendo considerado repetitivo e ultrapassado.
Apesar disso, já se sabe que esse estilo arquitetônico possui muitos aspectos importantes, que promovem a inovação em soluções bioclimáticas e termoacústicas utilizando materiais e técnicas simples.

Outra característica importante é a não necessidade de supervisão por parte de arquitetos, isso porque como mencionado antes, nela são empregadas técnicas relativamente simples e de menor custo e que abrangem o conhecimento e experiência de uma população local que a edificará.
No entanto, isso não impede que arquitetos busquem estudar e se aprimorar no uso desses métodos a fim de incorporá-los a seus projetos arquitetônicos.
Resumidamente, as principais características adotadas pela Arquitetura Vernacular são:
- Adaptação as condições locais, topográficas e climáticas;
- Utilizar materiais locais de baixo impacto;
- Prezar pela funcionalidade;
- Priorizar o conforto;
- Difundir soluções construtivas que reduzam os impactos ambientais;
- Utilizar técnicas construtivas relativas à população local;
- Prezar pela sustentabilidade;
- Entre outras.
Assim, a Arquitetura Vernacular deve promover a construção de edificações usando os recursos disponíveis no local, prezando por soluções sustentáveis e utilizando métodos construtivos relacionados a determinada região onde será construída.

As características da Arquitetura Vernacular variam de região para região, sendo empregados diferentes materiais e técnicas de acordo com o local onde serão edificadas.
Logo, é importante conhecer as principais características de acordo com os diversos locais.
Regiões de clima frio
Devido a rigorosidade presente em climas frios, torna-se necessário utilizar materiais que mantenham o calor dentro do ambiente o maior tempo possível, além de uma maior espessura das paredes e proximidade entre as edificações.

Geralmente, a neve se faz presente em regiões cujo clima é frio, este fato exige que os telhados possuam uma inclinação maior.

Além disso em busca de capturar alguma iluminação natural presente nestas regiões, adota-se o uso amplas aberturas nas fachadas voltadas para a maior insolação.
Regiões de clima quente e seco
Nestas regiões também é priorizada a proximidade entre as edificações, assim como o uso de paredes espessas, porém deve se adotar materiais que auxiliem nas trocas térmicas de calor e mantenham o ambiente fresco.
Frequentemente, as edificações estão diretamente no solo e por conta da iluminação abundante, os telhados devem ser planos e as fachadas devem possuir tons claros e pequenas aberturas.

Também é importante a utilização de pátios internos com vegetação e fontes ou espelhos d’agua. Esta particularidade auxilia a manter um microclima agradável a edificação.

Regiões de clima úmido
Em regiões cujo clima é úmido são adotadas características como, afastamento entre as edificações, paredes pouco espessas e uso de materiais leves. Isso auxilia a evitar problemas relacionados a umidade na edificação.
É importante ainda que os telhados possuam grandes inclinações, as edificações possuam varandas e beirais, além de que a estrutura esteja acima do solo.

No que diz respeito as fachadas, é fundamental que possuam amplas aberturas que possibilitem a ventilação cruzada.
Arquitetura Vernacular no Mundo
Pode-se considerar que os conceitos que definem a Arquitetura Vernacular tenham iniciado ainda na Pré-História, nascendo com a necessidade do Homem em construir abrigos para se proteger das intempéries e riscos, constituindo assim a forma primária de habitação.

Durante o Período Neolítico, quando o ser humano deixou de ser nômade, aos poucos teve início o desenvolvimento de povoamentos fixos e nelas habitações. Com isso, passou a ser utilizado novos materiais e técnicas para edificar tais habitações. Alguns dos materiais utilizados no período foram: a madeira, coberturas vegetais e posteriormente barro e tijolo.
Posteriormente, as civilizações clássicas trouxeram a arquitetura grega e romana que se preocupava com as devoções religiosas e com a relação entre o habitante e a cidade, isso se refletiu na construção dos templos e das cidades.

O período medieval foi caracterizado por uma arquitetura religiosa, onde foram construídas grandes catedrais de imensas dimensões.

Com o fim da Idade Média e chegada do Renascimento se redescobriu novos materiais como o metal e o cimento e novas técnicas de construção que passaram a ser incorporadas as edificações do período.
Assim, é possível perceber que ao longo do tempo a História da Arquitetura Mundial é composta por características vernaculares, que se acentuam de acordo com as diversas regiões e períodos das quais elas fazem parte.
A seguir, alguns exemplos de Arquitetura Vernacular no mundo:
Iglu (Polo Norte)
Os iglus são uma espécie de abrigo construídos com bloco de neve, sendo considerados uma construção habitacional feitas pelos povos inuítes, presentes nas regiões do Ártico Central, Canadá e Groenlândia.

Geralmente, apresentam uma estrutura de formato cupular, construída usando neve endurecida, que funciona como isolante térmico. A temperatura interior de um Iglu pode variar de -7º a 16º graus aquecida apenas pelo calor do corpo.




















