Qual a importância de saber fazer o cálculo de escada?
Saber realizar o cálculo de escadas é de extrema importância para que, seguindo as normas técnicas que garantem a acessibilidade e as recomendações do corpo de bombeiros, o projeto seja executado adequadamente.
Embora, o cálculo de escada pareça fácil de imediato, muitas vezes, a teoria é bem diferente do que acontece na prática. Por isso, esse artigo irá mostrar o passo a passo para utilizar as fórmulas, como aplicar os valores da forma correta e como escolher o melhor tipo de escada para o seu projeto. Tudo isso seguindo as recomendações do Corpo de Bombeiros e da NBR 9050, que garante a acessibilidade.
Se você é um profissional da construção civil, seja arquiteto, engenheiro ou estudante realizar o correto cálculo de escadas é fundamental para você garantir conforto, acessibilidade e segurança para os usuários de seus projetos.

Como esse artigo está estruturado
- O que você precisa saber para projetar uma escada?
- Tipos de Escadas
- Fórmula de Blondel
- Passo a passo para o cálculo de uma escada
- E escada com patamar?
- Qual a largura mínima da escada?
- Conclusão
1. O que você precisa saber para projetar uma escada?
No projeto, um grande ponto a ser levado em consideração, são os materiais que serão empregados para a construção da escada. Por exemplo: uma escada em saída de emergência deve ser construída em concreto ou material correspondente.
Outra questão importante são os revestimentos empregados, que também variam de acordo com o perfil de edificação ao qual a escada atende. Também para uma escada de emergência, essa precisa possuir degraus revestidos com materiais resistentes à chama.

Além disso, para realizar o cálculo é necessário conhecer alguns componentes que fazem parte de uma escada, assim como, suas medidas mais usuais, usadas como referência para que se tenha uma escada confortável, acessível e segura.
É necessário conhecer esses conceitos para empregar os valores corretos na hora do cálculo de escada. Também é importante salientar que os valores apresentados como referência são os mais empregados, previstos nas Normas Técnicas e recomendações do Corpo de Bombeiros.
No entanto, sempre verifique o previsto pelas legislações de sua região, para garantir a aprovação de seu projeto pelos órgãos competentes.

Piso
Superfície horizontal da escada, trata-se da área onde se pisa. Suas medidas variam de acordo com o local de utilização da escada. Esse componente também é conhecido como o degrau. Por exemplo, em residência unifamiliar, geralmente são mais utilizados como referência os valores de 28 a 32 cm.

Espelho
Enquanto o piso é a superfície horizontal da escada, o espelho é a superfície vertical do degrau, onde encostamos a ponta dos nossos pés ao subir. Como referência, usualmente, se empregam os valores de 16cm a 18cm.
Dependendo da tipologia da edificação onde a escada será utilizada, é permitido que o espelho seja vazado. Contudo, a NBR 9050, prevê que em rotas acessíveis é proibido o uso de espelho vazado.
Caso o espelho seja inclinado, esse pode avançar 1,5 cm sobre o piso abaixo.

Patamar
O patamar é o componente horizontal semelhante ao piso da escada, porém, com maior comprimento. Pode se apresentar separando os lances de uma escada, ou em seu topo.
O patamar é comumente utilizado em escadas onde se precisa vencer uma grande altura, para descanso. Geralmente apresenta comprimento igual a largura da escada.
Por exemplo: Se uma escada tem piso de 0,3m e largura de 1,20m, é recomendável que o patamar tenha 1,20 x 1,20m.

Guarda Corpo
Barreira de proteção vertical, presente nas laterais da escada para que as pessoas estejam seguras enquanto a utilizam. O guarda corpo também pode ser denominado como gradil ou balaustrada.
Para sua composição podem ser utilizados diferentes materiais, como concreto, alvenaria, perfis de alumínio, aço, pvc, chapas de vidro, dentre outros.

Esse elemento possui norma específica que o regulamenta, a NBR 14718. Segundo essa norma, a altura mínima do guarda corpo é de 1100mm. Além dessa, os guarda corpos também devem atender à NBR 9077.
Corrimão
Elemento utilizado para que se apoiem as mãos enquanto se usa a escada. O corrimão pode ou não ser acoplado ao guarda corpo.
São usualmente utilizadas as alturas de 0,70m e/ou 0,92m, contados a partir da face do piso, para sua instalação, segundo a NBR 9050. Esse componente pode ser constituído em materiais variados, como madeira, alumínio, aço, dentro outros.

2. Tipos de Escadas
Uma escada, dentro de um projeto arquitetônico, pode influenciar o ambiente de diferentes formas, trazendo personalidade, beleza, funcionalidade. Além disso, também possibilita um melhor aproveitamento da área construída de uma edificação, sendo uma opção muito indicada para lotes pequenos.
Todos esses fatores estão sob influência do tipo de escada utilizada, ou seja, do formato que a escada possui. Essa forma se diferencia de acordo com a quantidade de lances que a escada tem e posição que ocupam, bem como da maneira como seus degraus estão posicionados.
Além disso, é necessário estar atento às legislações vigentes para ter uma escada com o formato desejado para o meio onde se destina.
Os tipos mais comuns de escadas utilizadas são:
Escada Reta
A escada reta é aquela construída em um único sentido, sem mudanças de direção ou curvas. Pode ou não apresentar patamar. Uma das vantagens desse modelo é sua facilidade para construção, por sua forma simples e prática. Contudo, é importante levar em consideração a área disponível para a sua implantação, uma vez que pode precisar de bastante espaço, de acordo com a altura a vencer.

Escada em L
Nesse tipo de escada seu formato lembra um L, já que muda de direção em 90º, ou seja, um dos lances da escada está perpendicular ao seguinte. Trata-se de escada que possui patamar reto, que auxilia a transição entre os lances da escada, tornando seu uso mais confortável.

Escada em U
É a escada que muda de direção em 180º, ou seja, um dos lances da escada está paralelo ao seguinte. Também apresenta patamar reto. Muito utilizadas em ambientes variados, desde residências unifamiliares a áreas públicas com grande incidência de pessoas.
Uma de suas vantagens é otimizar a área construída, podendo ser proposto até um paisagismo embaixo da escada.

Escada em Leque
Esse tipo de escada pode ter os formatos L e U. Seu diferencial é que, ao invés de possuir patamar, apresenta degraus triangulares, responsáveis pela transição entre os lances da escada.
Uma vantagem desse modelo, em comparação com as escadas com patamar, é que otimiza o uso dos degraus, sendo positiva quando se tem uma grande altura entre os pavimentos a alcançar e/ou pouco espaço para a implantação da escada.

Escada Circular
É o modelo de escada curvo. Tem grande apelo estético, trazendo beleza e sofisticação para os ambientes. Por isso, é muito utilizada em ambientes onde se deseja que a escada atue como um ornamento para o espaço.
Contudo, é importante estar atento a sua funcionalidade, pois essa deve atender aos requisitos das normas de segurança para estar apta para seu uso.
Também costuma ser empregada quando se deseja poupar espaço para sua implantação.

Escada em Cascata
A escada em cascata possui a parte debaixo da escada seguindo o formato dos degraus. De acordo com essa característica, aparenta ser mais leve, trazendo sutileza ao ambiente.
Esse tipo é geralmente utilizado em escadas delgadas. Além disso, esse modelo também garante um projeto mais eficiente quanto ao consumo de material.

3. Fórmula de Blondel
O que é a Fórmula de Blondel e pra que ela serve?
Primeiramente, graças a fórmula de Blondel é possível garantir conforto aos usuários durante a utilização de uma escada. O responsável por sua invenção, Nicolas François Blondel, identificou que o tamanho da passada de uma pessoa ao subir ou descer uma escada é influenciada pela altura do degrau. A partir disso, estabeleceu uma relação entre a atura do espelho e do piso da escada, para garantir que essa não provoque esforços excessivos em quem a usa.

Aplicando os valores ideias encontrados por Blondel, juntamente com os previstos na ABNT NBR 9050 (Acessibilidade) e ABNT NBR 9077 (Saídas de Emergência em Edifícios), além das recomendações feitas pelo Corpo de Bombeiros, chegamos aos valores de referência:
- Piso – No mínimo 25 cm (Recomendação de Blondel e Corpo de Bombeiro de alguns estados) ou para maior conforto, de 28 cm a 32 cm (Recomendação de NBR 9050 e Corpo de Bombeiros de alguns estados).
- Espelho – 16 cm a 18 cm (Recomendação da ABNT NBR 9050 e 9077).
Lembre-se de consultar a Legislação de seu município para utilizar os valores adequados, uma vez que, esses valores podem variar de acordo com o local de implantação da escada: área interna ou externa, projetos residenciais ou comerciais e etc.
4. Passo a passo para o cálculo de uma escada
Antes de mais nada, para o cálculo da escada, precisamos determinar os seguintes valores:





