As videolocadoras foram substituídas pela Netflix. Os táxis estão ameaçados pelo modelo Uber de transporte compartilhado. Os restaurantes estão gerando mais lucro em aplicativos de delivery como o iFood do que em seus endereços. Você pode receber as suas compras do mês sem sair de casa usando serviços como o Rappi. E os bancos digitais como o Nubank não possuem nenhuma agência física.

É evidente que a internet mudou (e segue mudando) os nossos hábitos.

A revolução digital começou em 1981, com o lançamento do primeiro computador pessoal da IBM. Mas assim como na revolução industrial, as mudanças iniciadas há quase 40 anos continuam acontecendo até hoje.

No entanto, alguns setores ainda não foram inteiramente abraçados por esta revolução. E a educação é um deles.

Isso não quer dizer que o movimento não tenha começado: pelo contrário, o ensino a distância é muito mais antigo do que muita gente imagina. O primeiro curso de EAD no Brasil foi criado em 1904 e era feito por correspondência. Já os primeiros cursos que podem ser considerados “online” foram criados nos anos 90, mesma década em que o MEC criou a Secretaria de Educação a Distância.

Ou seja, o ensino não-presencial já existe no Brasil a mais de um século e cursos online começaram a ser oferecidos por aqui há praticamente 30 anos.

O que falta?

O principal obstáculo das plataformas online de ensino é a resistência dos brasileiros.

Embora seja muito aceito em países como os Estados Unidos, por aqui muita gente ainda desconfia do ensino pela internet. Seja por acreditar na falácia de que esse tipo de curso tem menos conteúdo ou por não se considerarem capazes de manter a disciplina necessária para estudar sem um professor cobrando sua atenção o tempo todo.

Só que as mudanças acontecem aos poucos. Assim como o Spotify e a Netflix conseguiram romper a difícil barreira dos CDs e DVDs (mesmo com toda a discussão sobre copyright e direitos autorais), o ensino online também tem se mostrado cada vez mais promissor, principalmente em mercados como o da arquitetura.

A arquitetura e o ensino online

A principal razão para a arquitetura estar se adaptando bem ao ensino online é a falha das universidades em ensinar conteúdos essenciais para a prática da profissão. A maioria dos cursos superiores focam muito no academicismo teórico – que é essencial, claro – mas não dá atenção suficiente para os conhecimentos práticos realmente exigidos no dia-a-dia.

Arquitetos que preferem entrar para o mercado de trabalho ao invés de seguir a carreira acadêmica acabam encontrando dificuldades. O principal sintoma é a falta de habilidade em softwares utilizados em escritórios de arquitetura, como SketchUp, Revit, Lumion, AutoCAD, V-Ray e até Adobe Photoshop. Mas não se restringe a isso. Técnicas específicas de desenho, tendências de mercado e novas tecnologias também são temas que seguem ausentes da maior parte das universidades.

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Por isso a maioria dos arquitetos em formação costuma fazer cursos extracurriculares para aprender a dominar estes assuntos, recorrendo tanto a cursos presenciais quanto online. Mesmo os arquitetos que se consideram autodidatas provavelmente usaram tutoriais e “mini cursos” online para se especializar.

E mais: cursos e tutoriais amadores disponibilizados gratuitamente em sites como o YouTube têm concorrido com o ensino superior formal.

O que causa leva a duas problemáticas:

  • Se cursos criados por pessoas sem qualificação são capazes de preparar os profissionais para o mercado melhor do que a própria Academia, talvez essa tendência não deva ser ignorada e sim amplamente debatida pelas universidades
  • Esse movimento ameaça a qualidade da educação online (e até da educação como um todo), pois se qualquer pessoa com uma câmera e tempo livre puder ser responsável pela formação de profissionais da arquitetura, em que certificações confiar?

É claro que não podemos ser contra os tutoriais do YouTube. Aliás, muito pelo contrário, o sistema de “pessoa ajudando pessoa” sempre existiu, antes mesmo da revolução digital. Ela é natural e eu diria até essencial para nosso desenvolvimento profissional. Quantos dos seus conhecimentos foram ensinados por colegas de trabalho ou amigos, ao invés de professores?

Porém também não podemos menosprezar o conhecimento de professores qualificados e o papel das instituições de ensino. Elas selecionam, treinam e cobram esses professores. É um controle de qualidade que possibilita certificar o conhecimento que está sendo ensinado – e isso é valorizado no mercado. Ninguém coloca os vídeos que assistiu no YouTube no currículo, não é mesmo?

Adaptação às novas tendências

A arquitetura está fazendo uma curva sinuosa para o ensino online e os motivos são compreensíveis, como mostramos anteriormente. Isso nos leva a crer que estamos muito próximos do rompimento de algumas fronteiras.

A Uberização do ensino de arquitetura está cada vez mais eminente e o público tem percebido isso. Em uma transformação silenciosa, porém perceptível, os estudantes e profissionais de arquitetura estão optando por aprender novas habilidades pelo computador ou pelo celular ao invés de uma sala de aula. E esse é um movimento que dificilmente será evitado.

As vantagens do ensino online são muitas e praticamente óbvias:

  • O aluno pode escolher qualquer horário para assistir as aulas, ajustando os estudos à sua rotina e não o contrário
  • Os cursos online normalmente são mais baratos, principalmente devido às instituições de ensino terem gastos menores com estruturas físicas
  • As aulas podem ser assistidas em qualquer lugar, o que é prático tanto para quem estuda no celular durante a academia quanto para quem mora em cidades com menos opções de ensino de qualidade
  • Não ter que ir frequentemente até um sala de aula ou auditório também faz com que os alunos economizem dinheiro em transporte, materiais e alimentação (sem falar no tempo de deslocamento)
  • O conteúdo também costuma ser mais flexível, possibilitando escolher quais matérias mais interessam e, na medida do possível, em qual ordem prefere aprendê-las
  • Cursos online permitem assistir cada aula quantas vezes quiser, o que é útil para revisar a matéria, anotar o conteúdo com calma ou refazer as atividades. A vida real não tem botão de “pause”.

Nesse ponto já está claro que cursos online são cheios de vantagens, mas é claro que também exige comprometimento. Isso pode ser difícil para alguns, principalmente para quem está habituado com um modelo ultrapassado. Alunos aprenderam a estudar por obrigação, sob a supervisão constante de um professor, aprendendo conteúdos focados em avaliações e não na aplicação prática.

Isso está longe de significar que é impossível se adaptar às novas tendências de ensino. Na verdade, aprender a estudar pela internet pode trazer grandes vantagens para sua carreira e para o futuro da arquitetura. Para algumas pessoas o estudo online será muito natural, principalmente quem já está acostumando com o ambiente virtual. Mas todos podem se adequar sem problemas.

É basicamente uma questão de hábito e existem alguns truques para tornar essa adaptação mais fácil:

Use a flexibilidade de horário a seu favor

Para algumas pessoas é mais fácil assistir às aulas logo após acordar, antes de começar o dia. Já outras preferem estudar antes de dormir, enquanto outras só têm tempo no ônibus a caminho do trabalho… Descubra o horário que funciona melhor para você e aproveite essa autonomia.

Não é necessário dedicar longas horas por dia

Na hora de escolher um curso online, é normal checar a duração do curso, mas também vale a pena conferir a duração das aulas. A Projetou, por exemplo, divide todos seus cursos em aulas curtinhas, para que os alunos possam assistir aos poucos.

Nem todo mundo tem duas ou três horas disponíveis para estudar, então dividir o curso em vídeos curtos facilita que o estudo seja incorporado à rotina de cada um.

Caso o curso online que você está fazendo tenha apenas videos longos, também é possível fracionar o vídeo em sessões menores para contornar essa questão. Anote o tempo de vídeo e continue assistindo de onde você parou. Estudar em ciclos curtos rende melhor e faz com que o conteúdo se fixe – além de ser menos cansativo, claro.

Crie uma rotina de estudos

Quando já souber o melhor horário para estudar e quantos minutos por dia pode dedicar aos estudos, estabeleça um padrão. Isso fará com que as aulas se encaixem naturalmente no seu cronograma e será muito mais fácil manter uma frequência.

Busque o lugar ideal

E sim, pode ser a sua cama. Mas o importante é que seja um lugar calmo, com pouco barulho e onde você não será interrompido(a). Isso fará com que você se concentre mais facilmente nos estudos e tornará o aprendizado mais eficiente. Pode ser qualquer lugar, mas se for um lugar confortável demais, cuidado para não acabar caindo no sono. Seja honesto(a) com você mesmo se estudar na cama não estiver funcionando para você.

Fones de ouvido também podem ser excelentes aliados para manter sua concentração.

Não subestime o poder das anotações

Embora tudo esteja escrito na sua tela e você possa assistir cada aula infinitas vezes, anotar o que você está aprendendo ajuda na fixação do conteúdo e torna mais manter a atenção. Você pode escrever em um caderno, mas também funciona usar um documento do Word ou o bloco de notas do celular, se você preferir.

Leve as atividades do curso a sério

Bons cursos online disponibilizam atividades, provas, testes e às vezes até materiais complementares. Não subestime esses recursos. Quanto mais você testar se realmente aprendeu o conteúdo, mais chance de você dominar uma habilidade ou um assunto.

No caso de cursos de Softwares, também é muito importante exercitar o que você estiver aprendendo. Se você estiver fazendo um curso de AutoCAD, por exemplo, não basta assistir o que o professor está fazendo no vídeo. Abra o programa no seu computador e coloque em prática o que aprendeu – de preferência imediatamente após a aula.

Lembre do seu objetivo

Para concluir, mantenha o foco nos seus objetivos. O objetivo não deve ser simplesmente um certificado ou um diploma. Essa é a mentalidade que mantém o ensino tradicional, e não a educação do futuro.

Seus objetivos devem ser algo que realmente te motive, como conseguir o emprego dos sonhos, se tornar o melhor arquiteto da sua cidade ou desenvolver um projeto incrível. É isso que vai te manter focado naquele dia que bater a preguiça ou quando a rotina estiver muito corrida. Ter em mente onde você quer chegar ajuda a aumentar sua força de vontade.


Olhando para o presente, é inquestionável que o ensino online será parte do nosso futuro. Espero que esse artigo te faça abrir os olhos para essa tendência e te ajude a obter os melhores resultados com essa modalidade de ensino.

A Projetou nasceu para suprir essa demanda e elevar a qualidade dos conteúdos oferecidos na web, porém de uma maneira mais acessível: oferecemos todo nosso catálogo de cursos por uma mensalidade fixa, ao invés de vender cada um isoladamente.

Nossa intenção não é competir com as universidades – que precisam se atualizar, não morrer. Queremos ser um aliado do aprendizado, facilitando o estudo extracurricular. Por isso funcionamos no modelo de assinatura, oferecendo acesso ilimitado a todo nosso material por um valor único. Saiba mais clicando aqui.