O que é o projeto hidrossanitário?
O Projeto Hidrossanitário se refere ao projeto hidráulico e sanitário, delimitando a distribuição da água fria, água quente, esgoto, água pluvial, caixas de gordura e sistema de ventilação por toda a edificação. Não representa apenas a marcação dos pontos hidráulicos como torneiras e chuveiros, mas um verdadeiro mapeamento desse sistema.
Dessa forma, engloba desde a água limpa fornecida pela concessionária e que chega às peças sanitárias, até a eliminação da água negra (efluente dos vasos sanitários).
Uma das etapas mais importantes de um projeto é o planejamento, e parte desse planejamento é a elaboração de um Projeto Hidrossanitário. Primeiramente, seu desenvolvimento deve estar alinhado ao Projeto Arquitetônico e seus projetos complementares, para garantir a compatibilização das diferentes plantas e a instalação adequada de todos os elementos.
Dessa forma, o Projeto Hidrossanitário irá permitir um melhor desempenho da edificação e a economia tanto na compra dos materiais quanto em posteriores manutenções.
Por isso, é de extrema importância que profissionais das áreas de arquitetura e engenharia tenham conhecimento de como fazer um Projeto Hidrossanitário, assim como suas vantagens e quais problemas decorrem da sua ausência.
Como esse artigo está estruturado
- Por que fazer um projeto hidrossanitário?
- Quais as etapas de um projeto hidrossanitário?
- Como fazer um projeto hidrossanitário
- Qual programa usar?
Por que fazer um projeto hidrossanitário?
Ainda que seja um projeto pouco executado, o Projeto Hidrossanitário pode fazer toda a diferença em uma edificação. A partir da sua elaboração, a construção recebe os elementos necessários para um bom funcionamento das instalações hidráulicas e de esgoto. Além disso, é uma documentação que registra as características e localização de todo o sistema.
No projeto, aparecem elementos como tubulação, válvulas, bombas, sifões, caixas de armazenamento e registros, que se conectam aos equipamentos sanitários. Tudo deve estar de acordo com o Projeto Arquitetônico, pois a falta de compatibilização pode prejudicar a execução da obra.
Vantagens
Entre as vantagens e problemas evitados podemos listar os seguintes:
- Fornece água suficiente: No Projeto Hidrossanitário, o quantitativo de água se calcula de acordo com a demanda da edificação, assegurando a disponibilidade de água em todos os momentos.
- Economia: com o planejamento e análise feitos nessa etapa projetual, economiza-se por volta de 20%. Referentes as tubulações, pressões e saídas, garantem as quantidades adequadas e evitam o desperdício de materiais.
- Garante a segurança da instalação: Como os elementos do Projeto Hidrossanitário são dimensionados de acordo com as quantidades e necessidades, a segurança da instalação é garantida.
- Facilita a manutenção: Visto que o projeto mostra de forma clara a localização e identificação das tubulações e demais elementos, a manutenção se torna mais fácil, rápida e barata, evitando quebras desnecessárias e tempo perdido.
- Bom custo-benefício: Com o desenvolvimento do projeto, a redução do desperdício de materiais e gasto frequente com manutenções irá reduzir o custo total da obra.
- Permite o aproveitamento da água da chuva: Quando indicado no projeto, a água pluvial pode ser captada e armazenada para uso posterior em atividades que não requerem água potável, como descargas, rega do jardim e lavagem de roupas.
- Evita a contaminação da água
- Evita a ocorrência de vazamentos: Quando as instalações são feitas da forma correta, com a vazão e pressão da água adequadas, se evitam patologias ligadas ao sistema hidrossanitário. Um dos problemas mais comuns são os vazamentos, responsáveis pelo mau cheiro que surge em banheiros e cozinhas.
- Impossibilita o acesso de corpos estranhos (bichos)
O desenvolvimento do projeto evita diversos problemas aos usuários, derivados do mau dimensionamento. São exemplo as peças sanitárias que não podem ser usadas ao mesmo tempo, interferência na circulação da água quente ao acionar mais de um equipamento sanitário, ruído nas tubulações, entupimentos e mau cheiro.
Quais as etapas de um projeto hidrossanitário?
Em um Projeto Hidrossanitário existem diferentes elementos para se desenvolver, todos eles de grande relevância para uma boa funcionalidade. Dentre eles:
- Plantas baixas
- Detalhes 3D (do projeto global e ambientes)
- Detalhes isométricos e de entrada
- Imagens de referência
- Quantidades detalhadas
A princípio, para aprovação, é necessário que se adeque as normas. Estas requerem uma determinada pressão para o sistema de água (NBR 5626:1998) e vazão adequada para o sistema de esgoto (NBR 8160:1999). Também devem ser entregues o memorial descritivo, memorial de cálculo e ART ou RRT.
O projeto deve garantir a eficiência do sistema e compatibilização com os sistemas envolvidos, principalmente o de estrutura e prevenção contra incêndios. Quanto mais bem definidas as informações, mais claro fica o projeto e menor a chance de erros na execução. Pode-se dividir a sua elaboração em diferentes partes, sendo estas o projeto de água fria, o projeto de água quente (quando houver), o projeto sanitário e o projeto pluvial.
Projeto de Água Fria
Nesse projeto, a partir do cálculo de distribuição de água potável, delimitam-se as instalações de água fria. Então, se representa a locação da entrada de água (hidrômetro e registro), as colunas de distribuição da água, os ramais de distribuição, a localização das peças de saída e pode incluir também a caixa d’água.
No projeto, aparecem desenhos e especificações técnicas para definir a instalação do sistema, alimentação, reservas e distribuição de água fria nas edificações. Além disso, se apresentam os memoriais e elementos gráficos que facilitem a sua compreensão.
Para sua aprovação, o projeto de água fria deve obedecer às normas da ABNT (NBR 5626:1998), vigilância sanitária, corpo de bombeiros, prefeitura municipal e outros órgãos competentes, a depender de cada cidade.
Reservatórios
Sabendo a localização da caixa d’água e suas dimensões, é necessário desenhar seu corte para visualização da capacidade e tubulações.
Quando possível, é recomendado o uso de duas unidades de abastecimento, com o objetivo de permitir a manutenção sem interromper o abastecimento da edificação. Às vezes, surgem situações que não possibilitam a execução de um reservatório superior com as condições ideais de vazão e pressão, casos em que se recomenda o uso do sistema hidropneumático.
Por outro lado, se o abastecimento de água for realizado por caminhão pipa ou se o sistema for deficiente, é orientado o estudo de reservatórios com capacidade maior, garantindo a disponibilidade de água. Ao passo que, caso o local da construção não seja atendido pela distribuição de água, pode-se optar pelo poço artesiano.
Se houver sistema de água quente, deve-se considerar o tamanho do boiler ou aquecedor. Quando for estabelecido o reaproveitamento de águas pluviais, essa questão deve ser considerada no cálculo volumétrico para seu reservatório, assim como estrutural, garantindo a carga adequada no projeto.
Os reservatórios precisam ser fechados e cobertos para evitar a entrada de fragmentos que possam contaminar a água. No entanto, o acesso ao seu interior precisa ser facilitado para realização de vistorias, limpeza e manutenção.
Enfim, para sua execução, deve-se instalar limitadores do nível de água, que evitam perda por extravasamento e tubulação de limpeza abaixo do nível mínimo e extravaso que possibilite a descarga da vazão máxima. Já no reservatório inferior, é necessário prever um ramal com instalação elevatória para realização da limpeza, quando não for possível o uso de ramal por gravidade.
Dimensionamento dos reservatórios
Para o cálculo da caixa d’água, leva-se em consideração o consumo de água de acordo com a área e quantidade de moradores, acrescido da reserva de incêndio. A concessionária deve conceder ao autor do projeto o valor de consumo diário por pessoa, de acordo com o tipo de edificação. Usa-se como referência a seguinte tabela:
| Tipo de Construção | Consumo médio (l/dia) |
| Residências | 150 por pessoa |
| Apartamentos | 200 por pessoa |
| Edf. público ou comércio | 50 por pessoa |
| Garagens | 50 por automóvel |
O valor do consumo diário será multiplicado pelo número de pessoas e deve garantir o abastecimento por pelo menos 2 dias, ou seja:
Por exemplo, se usarmos o valor de consumo médio diário de uma residência (150 litros por pessoa) em uma habitação para 3 moradores e uma reserva para 2 dias sem água, teremos a seguinte expressão:



